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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A ave que caiu do ninho





Eis-me aqui. Esta espécie de ave esguia
De um tom pálido e manchado
Que em cria caiu do ninho
E tristemente esqueceu seu fado.

Vê! Olha-me a planar o céu!
Assiste à leveza do meu movimento!
Sem olhar á nostalgia que denoto
Quando teimoso me tomba o vento.

E quando o Sol ao pôr-se esmorecer,
Ver-me-ás no horizonte a fenecer
Lembrando-me enfim do meu fado esquecido.


R.V.,16/05/2011

domingo, 23 de novembro de 2014

De novo criança




Certa vez, quis fazer-me de novo criança!
E correr arrebatada pelo areal macio
Em busca do búzio eleito, beijar
A face da minha mãe e adormecer ao seu peito.

Quis fazer-me de novo criança!
E trepar as enormes cerejeiras em flor
Sonhar com príncipes, temer monstros, viver
Sem procurar o sentido do efémero amor.

Quis fazer-me de novo criança!
Mas o tempo que é carrasco não deixou.
E até hoje aguardo pela sua volta, sonhando
Que me traga a inocência que levou!



17/04/2011