Deixo-me absorver por este momento de desilusão na esperança, na crença aliás, de que ele passará, como tantos outros. Por enquanto, tento manter-me aqui, imóvel. Impactada por esta realidade cortante.
Esperava mais do mundo. Esperava mais da minha sorte e das pessoas que a fazem. Esperava não ter de lutar pelo que os outros dão por garantido, e ver-me falhar. Esperava ajuda, esperava apoio, sonhos realizáveis.
Com certeza, tudo tem mais valor na minha vida, pois que tudo conquisto sozinha, a ferros. E gosto francamente do gostinho "fui capaz". Mas na hora em que a força perde a força e lutar se resume a cansaço, eu queria ombros. Queria palavras, incentivos...ou apenas um simpático "tudo se resolve".
O meu instinto de sobrevivência levou-me a um patamar elevado, em que a dor rapidamente se transforma em lição e a conquista mais simples almeja a seguinte. Sou no fundo uma espécie de estranho fóssil que a vida se esqueceu de proteger e que ao sabor das condições envolventes vai alterando o seu aspecto, mantendo-se discretamente no meio originário. Até que o vento mais rebelde me denuncie.
R.V.

