Tinha catorze anos quando criei o meu primeiro blogue. Na verdade, não era mais do que um diário que eu alimentava ao ritmo dos meus dissabores juvenis, quais catástrofes gregas. Em prosa ou poesia, o meu género favorito desde sempre, tudo tinha grandes pitadas de drama! Mas um drama convicto, como o verdadeiro o deve ser. Na realidade, penso que escrevia mais e melhor quando estava deprimida. Um grande desgosto de amor acabava sempre num belo soneto, grandioso e sofrido até ao último verso!
Em 2008, a minha vida sofreu um recomeço. E saber que tinha aquele "diário" apenas à distância de um clique, carregado de textos incómodos, de relatos amorosos que pertenciam ao passado, de desejos profundos que nada mais eram do que pó...deixou de fazer sentido. Eliminei o blogue, embora tenha conservado em papel (o meu fiel amigo!) cada linha que lá coloquei.
Continuei a escrever, essencialmente para mim. Porque sempre considerei a escrita uma forma de libertação, um meio dizer todas as verdades sem medo, vergonha ou outras hesitações. A determinada altura comecei a colaborar semanalmente com um site de crónicas, mas a obrigatoriedade de escrever depressa se revelou incómoda e desisti.
Hoje foi o dia em que resolvi voltar à escrita. Há sensivelmente um ano que não o faço e isso tem de mudar. Tenho demasiado a dizer e outro tanto a descobrir.
R.V.
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